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sexta-feira, 14 de março de 2014

Amélia Rodrigues

Você é Isso

Um clarão que desponta 
Nas trevas do coração ... 
Um elo transparente 
Das carícias à ilusão... 
Um afeto que surge 
E fortalece a união, 
Sempre pronto para ser,
Poder estar, viver
Pleno de amor
E amargura no coração.
Um ser que busca
A cidade
Da alma do amigo,
Que escorrega no seu pranto
E abafa o seu grito ...
Alguém que aceita a dor
Como um lenitivo
Nas luzes enegrecidas
Pelo fumo do inimigo ...
A fuga discordante
De um momento de paz
Quando chora o amor
Que tanta falta lhe faz.
Você é isso
Que eu encaro, reparo
E aceito
Como um amigo que tenho
No peito
Junto à liberdade
De ser quem sou. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Para ser eterno basta 1 minuto

  Como é difícil para nós reconhecermos nossas próprias fraquezas. Talvez a aceitação mais difícil seja a da limitação de nossa própria existência. Sabemos que não somos eternos, mas jamais haverá qualquer meio para se descobrir o último dia ou para prolongar nossas vidas por pelo menos mais um século (e será que isso seria bom?). Eis o grande sonho da alma humana: ser eterno - e, contraditoriamente, a morte torna-se o tema que mais nos tortura em vida e o que nos faz perder nosso tão precioso tempo com angústias e tristezas.
  Ora, pois a receita para ser eterno é simples. Se somos capazes de fazer cada momento eterno e de sermos eternos no coração de outras pessoas, temos nossa missão muito bem cumprida. Pensando assim, não temos tempo a perder senão aproveitando cada minuto sagrado que recebemos de presente. É aí que tudo passa a ter grande significado - passamos a entender que cada minuto que outras pessoas passam conosco são presentes que elas deixam para nós e que devemos retribuir a outros que passam por nós. Mas e aqueles que nada trazem de bom e tornam os momentos desagradáveis? A eles, damos o tempo, para que eles façam a mesma descoberta que fazemos um dia. Então, eles descobririam que, para ser feliz, basta apenas um minuto...
   ...Um minuto? Sim. O verdadeiro valor de tudo o que existe está no minuto que dedicamos não só à nossa felicidade, mas também à dos outros (e, consequentemente, teríamos igualmente a nossa). E, assim, aprenderíamos a valorizar os próximos minutos seguintes, pois daríamos sentido a cada coisa que fizéssemos. Assim, ninguém desejaria parar o tempo, mas que os próximos minutos viessem para que cada um pudesse valer o máximo possível. Será mesmo tão simples assim? É só fazer o teste, são apenas 60 segundos.
    Resumindo: amar nos faz eternos.
   Temos sido eternos em cada minuto de nossa existência?
   Temos amado em cada minuto de nossa existência?

S.C.P.S.



domingo, 29 de setembro de 2013

Lispector

Clarice dizendo tudo, mais uma vez....

A perigosa arte de escrever

'Minhas intuições se tornam mais claras ao esforço de transpô-las em palavras. Isso eu escrevi uma vez. Mas está errado, pois que, ao escrever, grudada e colada, está a intuição. É perigoso porque nunca sei o que virá - se se for sincero.Pode vir o aviso de uma destruição, de uma auto-destruição por meio de palavras. Podem vir lembraças que jamais se queria vê-las à tona. O clima pode se tornar apocalíptico. O coração tem que estar puro para que a intuição venha. E quando, meu Deus, pode-se dizer que o coração está puro? Porque é difícil apurar a pureza: às vezes no amor ilícito está toda a pureza do corpo e alma, não abençoado por um padre, mas abençoado pelo próprio amor. E tudo isso pode-se chegar a ver - e ter isso é irrevogável. Não se brinca com a intuição, não se brinca com o escrever: a caça pode ferir mortalmente o caçador.

Clarice Lispector -  A descoberta do mundo

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Serendipidade

apesar dos pesares que nos mudam de direção 
de um lado 
e de outro, 
segue a vida em suas fases de ALTOS baixos - clareza - "obscuridade" - até que surge um
         Porém,     
para      pausar       nossa      automaticidade,         acalmar          nossos       instintos      e            nos           levar   a      uma      intensa      e          incansável      busca     por           sinais. 

   Sinais que possAm nos tornar novaMente esperançosOs no destino, entRegando a eles nossa única chance de ser feliz - como se única fosse. Sinais que esperamos ansiosos, contando os minutos, observando a demora dos s e g u n d o s e a vida segue com nossos olhos e ouvidos atentos a qualquer som, qualquer gesto. 

   Enquanto isso, outras sensações, despercebidas, junto ao receio de entregar-se a elas, exatamente quando fechamos os olhos e atentamos os ouvidos para dentro, de sa bro cham em códigos indecifráveis que calmamente e a seu tempo vão trocando letras e formando palavras: 

                                                    feliz 
                                                   acaso


S.C.P.S.

Seiscentos e Sessenta e Seis



A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…

E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguia sempre, sempre em frente…

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Mário Quintana

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Maratona



    Queria simplesmente poder não pensar muito sobre o significado da vida, porém, às vezes a mente força a isso, mesmo (ou principalmente) quando já estava prestes a dormir.
    A vida: um sopro, uma passagem, uma viagem de trem, um livro com páginas em branco... Será mesmo tão fácil aceitar essas metáforas? Será que elas nos satisfazem a ponto de nos tranquilizar sobre o futuro? Não a mim.
   Procuro, então, fazer minha própria metáfora sobre a vida, por vários momentos, e não consigo. Talvez possa aceitá-la como uma maratona ao inverso, já que queremos ser sempre os últimos a chegar.
   Ponto de partida: estamos sadios, fortes, cheios de energia e nem temos a noção do quanto virá a ser percorrido, muito menos das dificuldades durante o percurso. Todos nos cercam, entusiasmados e cheios de expectativas sobre nossas vitórias.
   Porém, olhamos para os lados e não enxergamos nosso grande concorrente: o tempo. Ao longo do percurso, descobrimos que será impossível derrotá-lo, damos cada passo com um desejo enorme de que ele passe por nós bem devagar. Às vezes, nos esquecemos do quanto ele é veloz e, quando levamos os  piores tombos, queremos que cada segundo passe ainda mais depressa para que possamos nos reerguer e continuar a corrida. 
  Vamos nos aproximando do meio da corrida e começam as dores, a angústia de vencer os obstáculos, cometemos erros de percurso e muitos já deixaram de nos acompanhar. Outros apenas acompanham para esperar por algum tropeço. Outros, ainda, simplesmente surgem para nos dar apoio e depois se vão.
  Alguns de nossos torcedores, aqueles que mais acreditam em nós, nos acompanham fielmente desde o ponto de partida, a todo instante, e são os primeiros a nos motivar a seguir em frente.
  Aproxima-se o final da corrida e chega o cansaço. Aqueles que nos acompanharam desde o início e seguiram cada passo que demos, já se foram, pois também tiveram suas maratonas completadas. Eles deixam em nós a vontade de vencer e deixá-los orgulhosos. Alguns chegam durante o percurso e semeiam novamente em nós o ânimo para seguir em frente. Nossos passos se tornam mais lentos e já não temos as mesmas expectativas e o entusiasmo de antes, mas, temos a certeza de que chegaremos honrosos ao final do percurso, por nossa coragem, nossa ousadia e por todos aqueles que estiveram ao longo do caminho torcendo muito por nós.
  O que virá depois? É algo que só saberemos na linha de chegada. O meu grande sonho é que todos, mesmo aqueles que tenham ido embora logo após o ponto de partida, estejam de braços abertos, muito felizes, esperando por nós.

S.C.P.S.

terça-feira, 14 de junho de 2011

apenas uma reflexão.

  Existem muitos outros universos dentro do único que acreditamos veementemente existir. Podemos dizer, então, que, englobando todos os universos, o que existe é um "multiverso". 
 Dentro de cada universo maior, está o mundo, e, dentro do mundo, pequenos mundos subdivididos em outros tantos universos, únicos, alguns explorados com facilidade e outros que apenas todos julgam conhecer. Para cada universo menor (porém, de dimensão infinita), os outros que existem, apesar de serem os mesmos, são diferentes. 
  A vida, então, é um verdadeiro encontro e desencontro de universos.
  A dificuldade em tudo isso é atingir os universos, que, ainda que tão próximos, são inatingíveis.
  Quem souber, que ensine como.


S.C.P.S.

sábado, 30 de abril de 2011

sossego

  ...E quando parece que um peso enorme está por vir, como uma onda gigante que temos a impressão de não suportar, é que uma felicidade enorme brota em meio às turbulências. Talvez toda essa carga, toda ansiedade e agitação seja a tal da felicidade plena. Talvez no sossego eu não me sentisse completa como agora. Talvez nessa agitação é que eu me sinta sossegada. Talvez seja só o entusiasmo da felicidade e mais nada. Inexplicável.
  Vontades é que não faltam, de preencher ainda mais essa felicidade, de mantê-la viva, de respirar um pouco mais desse ar fresco que agora passa...


S.C.P.S.

sábado, 23 de abril de 2011

A linha da vida

  A linha da vida lá está, na palma da mão. Esta a traz consigo o tempo todo, por todos os cantos onde estiver. Cada um que a toca, penetra naquela linha e, quanto mais intenso for o toque entre duas linhas que se cruzam, por mais tempo elas traçam-se juntas. 
    Tudo o que fazemos, falamos, sentimos, são resumidos de forma bem singela pelas mãos.
  Enquanto nos olhos tenta-se desvendar um mundo por trás de toda a superfície, nas mãos é expressa grande parte desse mundo. Se puder observá-la, é possível encontrar sempre vestígios de angústia, tristeza, pensamentos distantes, atenção, ansiedade, raiva... Se puder tocá-la, sente-se a intensidade e muitos desejos escondidos por entre os dedos e, por que não, é possível obter respostas, ainda que não seja dita uma palavra.
   Por meio das mãos viemos ao mundo e, por elas, muitas vidas são salvas. 
  É como se nas mãos existisse algo sagrado; como se todo o mistério que envolve o sentido da existência e a soma de tudo o que somos estivesse todo contido nelas, na junção entre a linha da vida - a ligação entre passado, presente e futuro - e as digitais - nossa identidade.  
  Mesmo que não queiramos dizer nada e por mais que façamos esforço para não demonstrar o que encontra-se por dentro, as mãos sempre exercem a contradição nesses momentos. Porém, quando nos aliamos a elas para expressar aquilo que está realmente pronto a ser expressado, a harmonia torna-se grandiosa, a ponto de tornar-se possível ouvir a voz profunda e sensível da alma. 
  Nessas horas, quando percebo, já estou com os dedos sobre o piano, ou com as mãos segurando a caneta sobre o papel.
  A linha da vida está nas mãos e, ao mesmo tempo, fora dela. 

S.C.P.S.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

detalhes

  Incrível como, às vezes, espera-se por coisas grandiosas que preencham algum espaço vazio, até que, de uma forma bem mais rápida, detalhes tão bobos, quase despercebidos, trazem uma felicidade tão consistente e capaz de permanecer por muito mais tempo. Já as coisas grandiosas, para as quais cria-se grandes expectativas, nem sempre correspondem a elas.
  A felicidade consistente permanece de acordo com a disposição de trazê-la sempre para junto de si, o que parece fácil, mas parece que o complicado tem uma força de atração muito maior...


S.C.P.S.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Definições

  Como é que tantos pontos de conflito e ainda obscuros se convergem com a clareza de idéias exatas e são capazes de formar uma essência, que em si é tão definida, enquanto as expressões, as idéias, o mundo e até a própria natureza são tão inconstantes? E, ao conjunto de tantas indefinições alguém ousar se definir?
 Esse processo de indefinir-se para dentro e definir-se para fora é mesmo complicado.
 Talvez o definido por si próprio se indefina e o indefinido assim seja definido.


S.C.P.S.

domingo, 10 de abril de 2011

"Pessoa(s)"

"Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."



"Sê plural como o universo!"


Fernando Pessoa

quinta-feira, 10 de março de 2011

verdade

  Não há motivos para se preocupar com absolutamente tudo o que é falado ao nosso redor ou a nós mesmos.  
  Na realidade, muitas mentiras são ditas e poucas verdades são reveladas.
  Mas, para nos proteger, guardamos nossas verdades mais valiosas para que não perca seu valor diante de tantas verdades ocultas e só as revelamos quando temos a certeza de que será tão bem guardada como em nós mesmos.
  Precisamos mesmo é prestar atenção aos sinais, às expressões e às ações, pois qualquer detalhe é capaz de revelar algo não perceptível em palavras e, mesmo em meio a apenas palavras, devemos decifrar as entrelinhas. 
  Nas entrelinhas ainda poderá haver uma verdade que, por uma fração de segundos, podemos deixar passar despercebida. Ao mesmo tempo, para os outros, ela poderá ir apenas até onde quisermos revelar.
   Entretanto, a verdade poderá ser sempre a simples verdade vista com nossos olhos, sejam cegos, míopes ou capazes de ver coisas invisíveis. Depende somente da distância que temos capacidade de ver por dentro.
    


S.C.P.S.

sábado, 5 de março de 2011

Mar





  Ninguém sabe exatamente como nasceu o mar, como se tornara grande e volumoso, nem por que é tão profundo, por que é salgado, ou se um dia deixara de ser doce ou puro. Mas quem seria o autor de tão numerosas lágrimas?
  Às vezes agitado, outras vezes calmo. O mesmo mar completa cenários tristes e alegres de quem o vê. Tem seu próprio ritmo, suas fases e seus segredos. Por mais que alguém tenha coragem de avançá-lo, nunca chegará ao seu interior por seus próprios pés, embora a força de atração seja muito grande. Olhando de longe, não temos noção de sua profundeza e sequer somos capazes de imaginar o que nela se encontra. Para isso, é essencial existir tamanha profundidade em nós mesmos.
  Quem se arrisca a conhecê-lo, guardará apenas para si. Talvez, para estes, o mar seja ainda mais belo e intenso. Porém, muitos dos que conseguem esses feitos, não voltam, ficando em seus lugares a saudade. Mais lágrimas são deixadas em sua margem, até as ondas levarem ao fundo.
  Por isso, muitos preferem apenas admirá-lo, sonhando com as belezas do universo que o mar contenha. Mas estes eu digo que não são felizes.
  Felizes são os que arriscaram-se a chegar em suas profundezas, pois só eles guardam a provável experiência mais bela da vida.
   Porém, mais tristes ainda são os que nunca viram o mar.

S.C.P.S.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Os Colombos

Outros haverão de ter
o que houvermos de perder.
Outros poderão achar
o que, no nosso encontrar,
foi achado, ou não achado,
segundo o destino dado.
Mas o que a eles não toca
é a Magia que evoca
o Longe e faz dele história.
E por isso a sua glória
é justa auréola dada
por uma luz emprestada.

Fernando Pessoa

domingo, 31 de maio de 2009

A janela


  Desperto lentamente: primeiro os olhos; em seguida, com certa dificuldade, o corpo; só então a consciência, ainda perdida entre o último sonho e a realidade, que surge no mesmo instante em que abro a janela. Tudo se transforma: segundos atrás, havia somente escuridão. Agora, a realidade me cega por algum momento. Com muito esforço para manter os olhos abertos, em uma mistura de dor e curiosidade, torço para que aquela paisagem tenha se modificado. Uma decepção: é a mesma imagem de ontem e de muito tempo. 
  O velho balanço, para lembrar a passagem do tempo; as plantas, sem flores e desfolhadas, avisando a chegada do outono- mais uma estação de poucas expectativas; meu cachorro, estirado ao sol, em mais um dia sem grandes aventuras. 
  Nada transformou o mundo diante da minha janela. Imagino como será ruim tê-lo assim amanhã. Seria maravilhoso achá-lo muito mais atrante que qualquer outro no qual se aviste uma praia, ou uma montanha, afinal, é a minha janela.
  Talvez a felicidade consista em aprender a olhar para ela e para o mundo que está muito além daquela paisagem, porém, muito mais próximo. O grande desafio é despertá-lo, enxergar a janela e abri-la.

S.C.P.S.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Nevoeiro

(...)
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
(...)
É a hora!

Fernando Pessoa-Mensagem

terça-feira, 21 de abril de 2009

Carta



  Sinto grande pesar pelas tantas dúvidas a seu respeito. Porém, elas são necessárias, do contrário, congelaria o pouco que ainda vive neste alguém que tantas vezes desconheço. Conheço, sim, por fora, cada expressão, além de minha própria sombra. Por dentro não vejo, sinto. Contudo, o que sinto é infinito. Não existe espelho para identificar o que há no mundo interior. Aliás, não se pode ver com um simples desejo. Aos poucos, o que ali existe se manifesta. Mas não é tudo. Talvez nunca seja inteiramente conhecido.
  O que conhecia, até então(e que imaginava ser tudo o que ali havia), pertencia à superfície. A profundidade que agora percebo é ainda muito pequena, mas infinitamente maior que aquela vista há algum tempo. Não me arrisco mais a medi-la.
Você está lá, tão intenso e presente quanto antes. Às vezes em silêncio, às vezes gritando, ou simplesmente me fazendo pulsar.
  Todos esperam muito por você, o maior, o eterno, o sublime, o puro, o verdadeiro, o que ilude, o que enlouquece(ouvi tantos falarem isso!). Talvez, então, deva confiar em sua adversária, a razão, que, ao menos, me põe os pés no chão, já que muitos nada tiveram em troca de suas aflições. Não quero ser mais um. Arriscar-me-ia por você, então?
  (...)
  Pois então arrisco-me. Atiraria-me ao fogo, quantas vezes fosse preciso, para sentir que, por dentro, algo tão grandioso está vivo e me mantém vivo. Cada vez que rendo-me desta forma, dou passos mais largos rumo ao misterioso universo de minha essência, ao mesmo tempo em que levo o que existe de mais surpreendente à superfície, a fim de que não o guarde apenas comigo.
  O que tenho, no fundo, são esperanças pouco manifestas, mas sem estas virtudes tão persistentes que nele moram, meu infinito seria apenas um universo escuro e vazio e eu, um mundo incompleto, superficial e desconhecido.

S.C.P.S.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

sonho


"É um bom ponto de vista
Ver o mundo como um sonho

Quando você tiver algo como um pesadelo
Vai acordar e dizer que foi apenas um sonho..."

[...]