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sábado, 9 de maio de 2009

Que livro(s) sou eu?

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

  Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem. emórias póbas" (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.


A paixão segundo GH, de Clarice Lispector

  Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.ssim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.




Doidas e santas, de Martha Medeiros

  Moderninha e solteira, ou radiante de véu e grinalda? Eis a questão da jovem (ou nem tão jovem) mulher profissional, cosmopolita e, apesar de tudo, muito romântica. Eis a sua questão! Confesse: quantas horas semanais você gasta conversando sobre encontros e desencontros sentimentais com as suas amigas? Aliás, conversando não. Analisando, destrinchando... Mas isso não quer dizer que você só questione a existência de príncipe encantado, não.
  A vida adulta hoje não está fácil para ninguém, como bem mostram as 100 crônicas de "Doidas e Santas" (2008), que retratam os sabores e dissabores da vida sentimental e prática nas grandes cidades.



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sábado, 18 de abril de 2009

ensaio

Comptine d'un autre été l'après midi- Yann Tiersen



Ainda não toco lá essas coisas, é apenas o ensaio de um trecho da música da trilha de O fabuloso destino de Amélie Poulain, para passar o tempo... ^^

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domingo, 1 de março de 2009

Eu, sujeito de minha época

  Eu, em meio a tantas coisas que se transformam à minha volta, sou mais alguém tentando se adaptar a essas transformações. Mas não posso (e não quero) ser apenas mais uma pessoa dentre as seis bilhões que existem. Preciso me situar, conhecer a cada dia um pouco mais sobre mim mesma, para compreender o que me torna única e qual o meu papel, já que existem cada vez mais opções, deixando as escolhas mais difíceis ao longo do tempo.
  Até me conhecer tem sido complicado. Os sentimentos, conceitos, ideais, que naturalmente pertencem a cada um, aos poucos foram englobados pelo coletivo, graças aos meios de comunicação de massa. É a globalização. A omissão do “meu” em detrimento do “nosso”. Sei responder com certa facilidade sobre os problemas da África, a crise mundial e a insegurança das pessoas com o aumento da violência. Mas quando as perguntas são mais individuais, como quem sou eu, o que é felicidade para mim e por que esta é minha opinião, as respostas não surgem com a mesma simplicidade e estas são as mais complexas, porém não deveriam ser. É irônico, pois a pessoa que mais me conhece sou eu mesma!
  Gosto de imaginar como outras pessoas, em décadas e séculos passados, faziam determinadas coisas sem ao menos sonhar que aquilo poderia ser muito mais prático. É incrível mesmo, tanto que é difícil pensar como seria eu viver naquela época e, por isso, sou grata por ter nascido na era da tecnologia. Era tudo tão complicado, demorado... Escrever, por exemplo. Sem a caneta, imagino que levaria muito mais tempo para redigir este texto. Mas também penso que outras coisas eram mais fáceis, como sentar na calçada com os vizinhos no final da tarde. Com tanta violência, abrir a porta de casa hoje tornou-se um risco. E quem são meus vizinhos?
  Nas próximas décadas, virão muito mais novidades. Entretanto, com elas surgirão também mais problemas, mais opções e escolhas ainda mais difíceis. Saberei tanto sobre o mundo e tão pouco sobre mim...

[...]

S.C.P.S.