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domingo, 29 de setembro de 2013

Lispector

Clarice dizendo tudo, mais uma vez....

A perigosa arte de escrever

'Minhas intuições se tornam mais claras ao esforço de transpô-las em palavras. Isso eu escrevi uma vez. Mas está errado, pois que, ao escrever, grudada e colada, está a intuição. É perigoso porque nunca sei o que virá - se se for sincero.Pode vir o aviso de uma destruição, de uma auto-destruição por meio de palavras. Podem vir lembraças que jamais se queria vê-las à tona. O clima pode se tornar apocalíptico. O coração tem que estar puro para que a intuição venha. E quando, meu Deus, pode-se dizer que o coração está puro? Porque é difícil apurar a pureza: às vezes no amor ilícito está toda a pureza do corpo e alma, não abençoado por um padre, mas abençoado pelo próprio amor. E tudo isso pode-se chegar a ver - e ter isso é irrevogável. Não se brinca com a intuição, não se brinca com o escrever: a caça pode ferir mortalmente o caçador.

Clarice Lispector -  A descoberta do mundo

Das expectativas

Espera-se muito da vida e muito, muito pouco de nós mesmos.
Como e possível, então, que a vida se transforme sem que possamos enxergar nossa própria dimensão para sermos capazes de fazer mudanças?
(...)

S.C.P.S.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Serendipidade

apesar dos pesares que nos mudam de direção 
de um lado 
e de outro, 
segue a vida em suas fases de ALTOS baixos - clareza - "obscuridade" - até que surge um
         Porém,     
para      pausar       nossa      automaticidade,         acalmar          nossos       instintos      e            nos           levar   a      uma      intensa      e          incansável      busca     por           sinais. 

   Sinais que possAm nos tornar novaMente esperançosOs no destino, entRegando a eles nossa única chance de ser feliz - como se única fosse. Sinais que esperamos ansiosos, contando os minutos, observando a demora dos s e g u n d o s e a vida segue com nossos olhos e ouvidos atentos a qualquer som, qualquer gesto. 

   Enquanto isso, outras sensações, despercebidas, junto ao receio de entregar-se a elas, exatamente quando fechamos os olhos e atentamos os ouvidos para dentro, de sa bro cham em códigos indecifráveis que calmamente e a seu tempo vão trocando letras e formando palavras: 

                                                    feliz 
                                                   acaso


S.C.P.S.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Ode de Ricardo Reis

Segue o teu destino, 
Rega as tuas plantas, 
Ama as tuas rosas. 
O resto é a sombra 
De árvores alheias.

A realidade 
Sempre é mais ou menos 
Do que nós queremos. 
Só nós somos sempre 
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só. 
Grande e nobre é sempre 
Viver simplesmente. 
Deixa a dor nas aras 
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida. 
Nunca a interrogues. 
Ela nada pode 
Dizer-te. A resposta 
Está além dos deuses.

Mas serenamente 
Imita o Olimpo 
No teu coração. 
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Definições

  Como é que tantos pontos de conflito e ainda obscuros se convergem com a clareza de idéias exatas e são capazes de formar uma essência, que em si é tão definida, enquanto as expressões, as idéias, o mundo e até a própria natureza são tão inconstantes? E, ao conjunto de tantas indefinições alguém ousar se definir?
 Esse processo de indefinir-se para dentro e definir-se para fora é mesmo complicado.
 Talvez o definido por si próprio se indefina e o indefinido assim seja definido.


S.C.P.S.

domingo, 10 de abril de 2011

"Pessoa(s)"

"Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."



"Sê plural como o universo!"


Fernando Pessoa

terça-feira, 10 de março de 2009

reflexão

A essência
dispensa os olhos para ser
vista e a razão para ser compreendida.
Para torná-la bela, abandone a vaidade.
Esqueça seus argumentos,
não convencerá ninguém daquilo que é se não o fizer ser.
Além disso, esqueça tudo que está na superfície de si mesmo.
E quando perceber o que existe de mais simples dentro do próprio ser,
terá conhecido a maior complexidade daquilo que É.

S.C.P.S.

about feelings


A essência acima de todos os valores propagados ao redor.
[...]

sábado, 7 de março de 2009

encontrando respostas...

Desejar mudança nem sempre é arriscar-se a fazê-la.
É como se existisse dentro da nossa própria essência uma força contrária
que nos impõe a dificuldade para abandonar algo a que estamos habituados.

Medo do desconhecido.
Ou talvez seja apenas por acomodação. (isso me lembra uma frase: "[...] e não se acomodar com o que incomoda")
...

O que será que é, então?

[...]

S.C.P.S.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

[...]



"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."

Clarice Lispector