Mostrando postagens com marcador pensamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pensamentos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Para ser eterno basta 1 minuto

  Como é difícil para nós reconhecermos nossas próprias fraquezas. Talvez a aceitação mais difícil seja a da limitação de nossa própria existência. Sabemos que não somos eternos, mas jamais haverá qualquer meio para se descobrir o último dia ou para prolongar nossas vidas por pelo menos mais um século (e será que isso seria bom?). Eis o grande sonho da alma humana: ser eterno - e, contraditoriamente, a morte torna-se o tema que mais nos tortura em vida e o que nos faz perder nosso tão precioso tempo com angústias e tristezas.
  Ora, pois a receita para ser eterno é simples. Se somos capazes de fazer cada momento eterno e de sermos eternos no coração de outras pessoas, temos nossa missão muito bem cumprida. Pensando assim, não temos tempo a perder senão aproveitando cada minuto sagrado que recebemos de presente. É aí que tudo passa a ter grande significado - passamos a entender que cada minuto que outras pessoas passam conosco são presentes que elas deixam para nós e que devemos retribuir a outros que passam por nós. Mas e aqueles que nada trazem de bom e tornam os momentos desagradáveis? A eles, damos o tempo, para que eles façam a mesma descoberta que fazemos um dia. Então, eles descobririam que, para ser feliz, basta apenas um minuto...
   ...Um minuto? Sim. O verdadeiro valor de tudo o que existe está no minuto que dedicamos não só à nossa felicidade, mas também à dos outros (e, consequentemente, teríamos igualmente a nossa). E, assim, aprenderíamos a valorizar os próximos minutos seguintes, pois daríamos sentido a cada coisa que fizéssemos. Assim, ninguém desejaria parar o tempo, mas que os próximos minutos viessem para que cada um pudesse valer o máximo possível. Será mesmo tão simples assim? É só fazer o teste, são apenas 60 segundos.
    Resumindo: amar nos faz eternos.
   Temos sido eternos em cada minuto de nossa existência?
   Temos amado em cada minuto de nossa existência?

S.C.P.S.



domingo, 29 de setembro de 2013

Lispector

Clarice dizendo tudo, mais uma vez....

A perigosa arte de escrever

'Minhas intuições se tornam mais claras ao esforço de transpô-las em palavrasIsso eu escrevi uma vez. Mas está errado, pois que, ao escrever, grudada e colada, está a intuição. É perigoso porque nunca sei o que virá - se se for sincero.Pode vir o aviso de uma destruição, de uma auto-destruição por meio de palavras. Podem vir lembraças que jamais se queria vê-las à tona. O clima pode se tornar apocalíptico. O coração tem que estar puro para que a intuição venha. E quando, meu Deus, pode-se dizer que o coração está puro? Porque é difícil apurar a pureza: às vezes no amor ilícito está toda a pureza do corpo e alma, não abençoado por um padre, mas abençoado pelo próprio amor. E tudo isso pode-se chegar a ver - e ter isso é irrevogável. Não se brinca com a intuição, não se brinca com o escrever: a caça pode ferir mortalmente o caçador.

Clarice Lispector -  A descoberta do mundo

Das expectativas

Espera-se muito da vida e muito, muito pouco de nós mesmos.
Como e possível, então, que a vida se transforme sem que possamos enxergar nossa própria dimensão para sermos capazes de fazer mudanças?
(...)

S.C.P.S.
(...)
E o tempo é o melhor amigo de tudo que é verdadeiro...

É bom estar de volta!

S.C.P.S.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Que no Ano Novo:

Façamos um esforcinho a mais em cuidarmos da nossa saúde, de nossa felicidade e, por que não compartilhá-la?

Esqueçamos um pouco os velhos maus hábitos e cultivemos novos valores e atitudes que façam parte do mundo melhor que queremos. 

Lembremos sempre de fazer apenas aquelas promessas que sabemos que poderemos cumprir!

Iniciemos novos sonhos, mas que com ele venha o empenho de realizá-lo.

Zeremos e recomecemos aquilo que não deu certo. 

Alcancemos um novo patamar em nossos conhecimentos - principalmente em nosso auto-conhecimento. E sejamos menos orgulhosos e mais humildes.

Nos momentos de desânimo e tristeza, tenhamos (e sejamos) pessoas capazes de trazer novamente a esperança.

Os novos amigos permaneçam em nosso caminho.
Nos momentos de felicidade, possamos sempre compartilhar a nossa alegria e multiplicá-la.

Os velhos amigos possam relembrar e viver novos bons momentos conosco.

Valorizemos mais cada gesto de carinho e amizade.

O ano todo seja cheio de boas surpresas e motivos para comemorar!


                                                    FELIZ 2013!
S.C.P.S.







segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Serendipidade

apesar dos pesares que nos mudam de direção 
de um lado 
e de outro, 
segue a vida em suas fases de ALTOS baixos - clareza - "obscuridade" - até que surge um
         Porém,     
para      pausar       nossa      automaticidade,         acalmar          nossos       instintos      e            nos           levar   a      uma      intensa      e          incansável      busca     por           sinais. 

   Sinais que possAm nos tornar novaMente esperançosOs no destino, entRegando a eles nossa única chance de ser feliz - como se única fosse. Sinais que esperamos ansiosos, contando os minutos, observando a demora dos s e g u n d o s e a vida segue com nossos olhos e ouvidos atentos a qualquer som, qualquer gesto. 

   Enquanto isso, outras sensações, despercebidas, junto ao receio de entregar-se a elas, exatamente quando fechamos os olhos e atentamos os ouvidos para dentro, de sa bro cham em códigos indecifráveis que calmamente e a seu tempo vão trocando letras e formando palavras: 

                                                    feliz 
                                                   acaso


S.C.P.S.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Aprender


Depois de algum tempo você aprende a diferença, 
A sutil diferença entre dar uma mão e acorrentar uma alma, 
E você aprende que amar não é apoiar-se 
E que companhia nem sempre significa segurança, 
E começa aprender que beijos não são contratos, 
E presentes não são promessas. 


E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, 
Com a graça de um adulto, e não com a tristeza de uma criança 
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, 
Porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos, 
E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. 


Aprende que falar pode curar dores emocionais 
Descobre que se leva anos para construir uma confiança 
E apenas segundos para destruí-la. 
E que você pode fazer coisas em um instante, 
Das quais se arrependerá pelo resto de sua vida. 


Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer 
Mesmo a longa distância, 
E o que importa não é o que você tem na vida, 
Mas quem você tem na vida. 
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. 


Aprende que não temos que mudar de amigos 
Se compreendermos que os amigos mudam, 
Percebe que o seu melhor amigo e você 
Podem fazer qualquer coisa ou nada 
E terem bons momentos juntos. 


Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que o ame 
Não significa que esse alguém não o ame com tudo que pode 
Pois existem pessoas que nos amam 
Mas simplesmente não sabe como demonstrar ou viver com isso. 


Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém 
Algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo 
Aprende que com mesma severidade com que você julga 
Você será em algum momento condenado. 


Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, 
O mundo não pára para que você o conserte, 
Aprende que tempo é algo que não pode voltar para trás, 
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, 
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. 


E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, 
E que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. 
E que a vida realmente tem valor, 
E que você tem valor diante da vida. 
E você finalmente aprende que nossas dúvidas são traidoras 
E nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, 
Se não fosse o medo de tentar... 


William Shakespeare

domingo, 5 de junho de 2011

a nós, seres limitados

  O caos sempre se dispõe fielmente a trazer respostas passadas, iluminar o trajeto e tornar o trecho mais à frente visível, por várias fases, como em uma espiral. Uma visão muito clara, porém, triste, que não vai além dos limites que tanto se busca enxergar e que traz conclusões confusas a respeito do sentido de todas as coisas, além da incerteza de até onde o futuro atenderá nossas expectativas. 
   Há um ponto onde sonhos e limites se encontram.
  Existem limites que percorrerão todo o trajeto conosco para serem atravessados uma única vez. Saber que eles existem e que nunca conseguiremos definir como e onde o encontraremos, e, principalmente, a certeza de que um dia pisaremos sua linha, traçada tortuosamente por nós mesmos ao longo do caminho, é o que nos deixa com a sensação de andarmos o tempo todo contornando a beira do abismo, tentando manter o equilíbrio.


S.C.P.S.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

detalhes

  Incrível como, às vezes, espera-se por coisas grandiosas que preencham algum espaço vazio, até que, de uma forma bem mais rápida, detalhes tão bobos, quase despercebidos, trazem uma felicidade tão consistente e capaz de permanecer por muito mais tempo. Já as coisas grandiosas, para as quais cria-se grandes expectativas, nem sempre correspondem a elas.
  A felicidade consistente permanece de acordo com a disposição de trazê-la sempre para junto de si, o que parece fácil, mas parece que o complicado tem uma força de atração muito maior...


S.C.P.S.

quinta-feira, 10 de março de 2011

verdade

  Não há motivos para se preocupar com absolutamente tudo o que é falado ao nosso redor ou a nós mesmos.  
  Na realidade, muitas mentiras são ditas e poucas verdades são reveladas.
  Mas, para nos proteger, guardamos nossas verdades mais valiosas para que não perca seu valor diante de tantas verdades ocultas e só as revelamos quando temos a certeza de que será tão bem guardada como em nós mesmos.
  Precisamos mesmo é prestar atenção aos sinais, às expressões e às ações, pois qualquer detalhe é capaz de revelar algo não perceptível em palavras e, mesmo em meio a apenas palavras, devemos decifrar as entrelinhas. 
  Nas entrelinhas ainda poderá haver uma verdade que, por uma fração de segundos, podemos deixar passar despercebida. Ao mesmo tempo, para os outros, ela poderá ir apenas até onde quisermos revelar.
   Entretanto, a verdade poderá ser sempre a simples verdade vista com nossos olhos, sejam cegos, míopes ou capazes de ver coisas invisíveis. Depende somente da distância que temos capacidade de ver por dentro.
    


S.C.P.S.

terça-feira, 8 de março de 2011

...

Dizem que a primeira e a última carta de amor são sempre as mais difíceis de escrever...

domingo, 31 de janeiro de 2010

;D


"Mantenha seus pensamentos positivos,
porque seus pensamentos tornam-se suas palavras.
Mantenha suas palavras positivas,
porque suas palavras tornam-se suas atitudes.
Mantenha suas atitudes positivas,
porque suas atitudes tornam-se seus hábitos.
Mantenha seus hábitos positivos,
porque seus hábitos tornam-se seus valores.
Mantenha seus valores positivos,
porque seus valores...
Tornam-se seu destino."

Mahatma Ghandi

domingo, 27 de dezembro de 2009

Eu sei, mas não devia



Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez paga mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti

domingo, 15 de novembro de 2009

Strauss

" (...) Nunca tive, e ainda não tenho, a percepção do sentimento da minha identidade pessoal. Apareço perante mim mesmo como um lugar onde há coisas que acontecem, mas não há o 'Eu', não há o 'mim'.
Cada um de nós é uma espécie de encruzilhada onde acontecem coisas. As encruzilhadas são puramente passivas; há algo que acontece nesse lugar.
Outras coisas igualmente válidas acontecem noutros pontos.
Não há opção: é uma questão de probabilidades."

Claude Lévi-Strauss (1908-2009)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

ao Agora que chega e parte

"Porque a vida é o coletivo das horas que são pro dia." O Teatro Mágico


o Agora vai-se. torna-se passado.
vai-se outra vez.
e outra.
Passado é um Agora que já não se muda, nem se respira...
e quanto mais distantes de nós, aos poucos, leva-nos
o aroma,
a vivacidade das cores,
o sabor,
as vozes,
os sons,
as formas
(...)

talvez vá também a luz, deixando escuridão e vazio no espaço daqueles momentos.
mas existem aqueles, dos quais,
embora não tenhamos de volta as mesmas sensações,
vemos tão nitidamente diante dos nossos olhos... fechados.

por mais forte o desejo de viver aquele minuto novamente,
ele não retorna.

em seu lugar, despetala-se a saudade pelo caminho.
estes sessenta segundos passam por mim.
viva-se, pois, o Agora!
pode ser que muitos dos próximos minutos passem
e simplesmente vão-se para sempre,

porém,
outros tantos me esperam tão intensos e cheios de emoção,
que farão com que,
de cada segundo revivido,
ressurjam com eles muitas lágrimas e sorrisos.
porque o Agora é Futuro.
chega Agora.
é Agora.
(...)

S.C.P.S.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Gregório



À instabilidade das cousas no mundo

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol e na luz, falta a firmeza,
Na formosura não se crê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Gregório de Matos

segunda-feira, 22 de junho de 2009

sensações

"Eu sinto uma beleza quase insuportável e indescritível.
Como um ar estrelado, como a forma informe, como o não-ser existindo, como a respiração esplêndida de um animal. Enquanto eu viver terei de vez em quando a quase não-sensação do que não se pode nomear.
Entre oculto e quase revelado. É também um desespero faiscante e a dor se confunde com a beleza e se mistura a uma alegria apocalíptica."

Clarice Lispector

"(...)Tudo é incerto e derradeiro,
Tudo é disperso, nada é inteiro..."


Fernando Pessoa

sexta-feira, 19 de junho de 2009

respirando Clarice


"Caminho até o limite do meu sonho grande.
Para onde vou?
E a resposta é: vou."


Clarice Lispector

terça-feira, 16 de junho de 2009

o Livro inesgotável


"... dentro dessa torre há inúmeras outras torres, cada uma tão ampla e espaçosa quanto o céu e ornamentada de incontáveis maravilhas. Cada uma é distinta em si mesma, todavia, coletivamente é parte do todo, de modo que aquele que penetra na torre torna-se a torre e vê a si mesmo em tudo que ela contém."

"Tudo que for dito na treva, será ouvido na luz?"

Alberto Lins Caldas- Babel

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Água Viva

"(...) Oh, como tudo é incerto. E no entanto dentro da Ordem. Não sei sequer o que vou te escrever na frase seguinte. A verdade última a gente nunca diz. Quem sabe da verdade que venha então. E fale. Ouviremos contritos.
... eu o vi de repente e era um homem tão extraordinariamente bonito e viril que eu senti uma alegria de criação. Não é que eu o quisesse para mim assim como não quero o menino que vi com cabelos de arcanjo correndo atrás da bola. Eu queria somente olhar. O homem olhou um instante para mim e sorriu calmo: ele sabia o quanto era belo e sei que sabia que eu não o queria para mim. Sorriu porque não sentiu ameaça alguma. É que os seres excepcionais em qualquer sentido estão sujeitos a mais perigos que o comum das pessoas. Atravessei a rua e tomei um táxi. A brisa arrepiava-me os cabelos da nuca. E eu estava tão feliz que me encolhi no canto do táxi de medo porque a felicidade dói. E isto tudo causado pela visão do homem bonito. Eu continuava a não querê-lo para mim - gosto é das pessoas um pouco feias e ao mesmo tempo harmoniosas, mas ele de certa forma dera-me muito com o sorriso de camaradagem entre pessoas que se entendem. Tudo isso eu não entendia.
A coragem de viver: deixo oculto o que precisa ser oculto e precisa irradiar-se em segredo.
Calo-me.
Porque não sei qual é o meu segredo. Conta-me o teu, ensina-me sobre o secreto de cada um de nós. Não é segredo difamante. É apenas esse isto: segredo.
E não tem fórmulas.
(...)"

Clarice Lispector