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sábado, 18 de maio de 2013

Botucatu-SP



Catedral de Botucatu
Catedral de Botucatu


Restaurante Mão na Roda















Capela Rubião Júnior

quarta-feira, 15 de maio de 2013

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Que no Ano Novo:

Façamos um esforcinho a mais em cuidarmos da nossa saúde, de nossa felicidade e, por que não compartilhá-la?

Esqueçamos um pouco os velhos maus hábitos e cultivemos novos valores e atitudes que façam parte do mundo melhor que queremos. 

Lembremos sempre de fazer apenas aquelas promessas que sabemos que poderemos cumprir!

Iniciemos novos sonhos, mas que com ele venha o empenho de realizá-lo.

Zeremos e recomecemos aquilo que não deu certo. 

Alcancemos um novo patamar em nossos conhecimentos - principalmente em nosso auto-conhecimento. E sejamos menos orgulhosos e mais humildes.

Nos momentos de desânimo e tristeza, tenhamos (e sejamos) pessoas capazes de trazer novamente a esperança.

Os novos amigos permaneçam em nosso caminho.
Nos momentos de felicidade, possamos sempre compartilhar a nossa alegria e multiplicá-la.

Os velhos amigos possam relembrar e viver novos bons momentos conosco.

Valorizemos mais cada gesto de carinho e amizade.

O ano todo seja cheio de boas surpresas e motivos para comemorar!


                                                    FELIZ 2013!
S.C.P.S.







segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Serendipidade

apesar dos pesares que nos mudam de direção 
de um lado 
e de outro, 
segue a vida em suas fases de ALTOS baixos - clareza - "obscuridade" - até que surge um
         Porém,     
para      pausar       nossa      automaticidade,         acalmar          nossos       instintos      e            nos           levar   a      uma      intensa      e          incansável      busca     por           sinais. 

   Sinais que possAm nos tornar novaMente esperançosOs no destino, entRegando a eles nossa única chance de ser feliz - como se única fosse. Sinais que esperamos ansiosos, contando os minutos, observando a demora dos s e g u n d o s e a vida segue com nossos olhos e ouvidos atentos a qualquer som, qualquer gesto. 

   Enquanto isso, outras sensações, despercebidas, junto ao receio de entregar-se a elas, exatamente quando fechamos os olhos e atentamos os ouvidos para dentro, de sa bro cham em códigos indecifráveis que calmamente e a seu tempo vão trocando letras e formando palavras: 

                                                    feliz 
                                                   acaso


S.C.P.S.

domingo, 5 de junho de 2011

a nós, seres limitados

  O caos sempre se dispõe fielmente a trazer respostas passadas, iluminar o trajeto e tornar o trecho mais à frente visível, por várias fases, como em uma espiral. Uma visão muito clara, porém, triste, que não vai além dos limites que tanto se busca enxergar e que traz conclusões confusas a respeito do sentido de todas as coisas, além da incerteza de até onde o futuro atenderá nossas expectativas. 
   Há um ponto onde sonhos e limites se encontram.
  Existem limites que percorrerão todo o trajeto conosco para serem atravessados uma única vez. Saber que eles existem e que nunca conseguiremos definir como e onde o encontraremos, e, principalmente, a certeza de que um dia pisaremos sua linha, traçada tortuosamente por nós mesmos ao longo do caminho, é o que nos deixa com a sensação de andarmos o tempo todo contornando a beira do abismo, tentando manter o equilíbrio.


S.C.P.S.

sábado, 23 de abril de 2011

A linha da vida

  A linha da vida lá está, na palma da mão. Esta a traz consigo o tempo todo, por todos os cantos onde estiver. Cada um que a toca, penetra naquela linha e, quanto mais intenso for o toque entre duas linhas que se cruzam, por mais tempo elas traçam-se juntas. 
    Tudo o que fazemos, falamos, sentimos, são resumidos de forma bem singela pelas mãos.
  Enquanto nos olhos tenta-se desvendar um mundo por trás de toda a superfície, nas mãos é expressa grande parte desse mundo. Se puder observá-la, é possível encontrar sempre vestígios de angústia, tristeza, pensamentos distantes, atenção, ansiedade, raiva... Se puder tocá-la, sente-se a intensidade e muitos desejos escondidos por entre os dedos e, por que não, é possível obter respostas, ainda que não seja dita uma palavra.
   Por meio das mãos viemos ao mundo e, por elas, muitas vidas são salvas. 
  É como se nas mãos existisse algo sagrado; como se todo o mistério que envolve o sentido da existência e a soma de tudo o que somos estivesse todo contido nelas, na junção entre a linha da vida - a ligação entre passado, presente e futuro - e as digitais - nossa identidade.  
  Mesmo que não queiramos dizer nada e por mais que façamos esforço para não demonstrar o que encontra-se por dentro, as mãos sempre exercem a contradição nesses momentos. Porém, quando nos aliamos a elas para expressar aquilo que está realmente pronto a ser expressado, a harmonia torna-se grandiosa, a ponto de tornar-se possível ouvir a voz profunda e sensível da alma. 
  Nessas horas, quando percebo, já estou com os dedos sobre o piano, ou com as mãos segurando a caneta sobre o papel.
  A linha da vida está nas mãos e, ao mesmo tempo, fora dela. 

S.C.P.S.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens.
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu ,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo.
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando.
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
0 mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num paço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
0 seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
0 dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra ,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela.

0 homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(0 Dono da Tabacaria chegou á porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.


    Álvaro de Campos

quinta-feira, 19 de março de 2009

Destino


Andar,
Andar,
Andar,
Para chegar ao lugar
Que na escuridão diante dos olhos
Os sonhos me vêm mostrar.

Como hei de lá chegar?
Se pela trilha mais curta encontro pedras
E o caminho mais longo
É cheio de rosas- mas as rosas têm espinhos.
Encantada, poderei com elas me ferir
E a direção a seguir não mais encontrar.

Pensando bem, se me perder por entre rosas
Que mal haverá?
Pois vale muito mais a beleza de suas pétalas
Que as feridas - basta o tempo para vê-las cicatrizar.
Sob a Lua, verei diante dos olhos novamente a escuridão
E me encontrarei no destino com que me pus a sonhar.

S.C.P.S.